Notícia
08/02/10
CNI lança amanhã estudo sobre a nova classe média brasileira

O aumento da renda do brasileiro nos anos 2000 incorporou 26,9 milhões de pessoas à classe C, mudando a divisão dos recursos e alterando os padrões de consumo no País. Hoje, a classe média brasileira, de cerca de 98 milhões de pessoas, tem 46% da renda nacional, ante 44% das classes A e B, de acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para entender esse fenômeno e alicerçar decisões de negócios das empresas brasileiras, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) idealizou e realizou um amplo estudo da classe média, analisando comportamento social, ambições profissionais, projetos de sociedade e padrões de consumo. O projeto resultou no livro “A Classe Média Brasileira – ambições, valores e projetos de sociedade”, que será lançado amanhã em São Paulo. O livro foi escrito pelos cientistas políticos Amaury de Souza e Bolívar Lamounier, convidados pela CNI a participar do projeto.

A CNI convida os jornalistas para uma entrevista com os autores do livro nesta terça-feira (09/02), a partir das 15 horas (horário de Brasília), no escritório da instituição em São Paulo. Também participará do encontro a diretora de relações institucionais da CNI, Heloisa Menezes, que participou da coordenação do estudo. O livro será lançado nesta terça-feira (09/02) em São Paulo, na livraria Cultura do Conjunto Nacional, a partir das 19 horas.

O estudo da CNI mostra que a classe média é a grande responsável pela recuperação da economia brasileira frente à crise internacional. Isso aconteceu por conta do aumento de consumo, viabilizado principalmente devido à maior oferta de crédito. “Estamos preocupados com a sustentabilidade desse processo. Queremos saber até onde a classe média tem condições de garantir o consumo”, explicou o diretor executivo da CNI, José Augusto Fernandes, que coordenou o projeto.

“Conhecer a nova classe média brasileira é fundamental para entender o próprio futuro do mercado interno”, escreveu o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, na apresentação do livro. “O propósito era obter uma reflexão final robusta, que vencesse o crivo de diferentes enfoques e pontos de vista”, afirmou.

Monteiro Neto salientou que a intenção da CNI foi gerar conhecimento para orientar a estratégia de mercado das empresas e que os resultados do estudo trazem lições para os governos. “Para impulsionar a nova classe média, é crucial manter a inflação baixa, assim como melhorar a educação de baixa qualidade oferecida pelas escolas e universidades”, escreveu.

Amaury de Souza, um dos autores do estudo, lembra que ainda falta muito para que essa nova classe média se estabeleça de forma mais sólida porque, apesar do aumento da renda, a instabilidade ainda é grande, uma vez que muitos empregos não são fixos.