Notícia
09/03/10
Fiems articula demandas da indústria no Plano Nacional de Logística e Transporte

Em encontro no Centro de Convenções e Exposições Albano Franco, em Campo Grande, nesta terça-feira (09/03) para discutir o PNLT - Plano Nacional de Logística e Transporte – e que contou com o secretário de Política Nacional de Transportes, Marcelo Perrupato, e com o governador André Puccinelli, além de secretários estaduais, prefeitos, deputados e empresários, o presidente da Fiems, Sérgio Longen, apresentou as demandas do setor industrial. “É importante destacar que a Federação das Indústrias está pronta para ocupar a posição de entidade interlocutora, fazendo chegar à Secretaria Nacional de Transporte as necessidades da indústria do Estado”, destacou.

Ele ressaltou que hoje o custo da produção estadual é muito onerado, pois depende quase na totalidade do transporte rodoviário. “Nossas estradas estão estranguladas, operando em níveis máximos de capacidade, tanto nos períodos de safra, quanto de entresafra. O custo do frete é altíssimo, afetando diretamente a competitividade dos nossos produtos. Por outro lado, temos o modal hidroviário pouco explorado e, na mesma situação, encontra-se o modal ferroviário que, apesar de geograficamente oferecer uma imensa potencialidade, hoje é sub-utilizado e não dispõe de condições seguras para o transporte das cargas”, reforçou.

Para Sérgio Longen, nessa reunião para discutir o PNLT é possível tratar as oportunidades reais de desenvolvimento. “Temos tudo que uma empresa precisa para se instalar e crescer, mas, precisamos com urgência de resolver o gargalho da logística e do transporte. Tenho convicção que este encontro pode ser um marco na história de Mato Grosso do Sul. Precisamos nos tornar mais competitivos e consolidar o processo de industrialização do Estado. A solução está em nossas mãos”, discursou, pregando a necessidade de aproveitar o evento para construir um plano de ação para criar soluções de desenvolvimento do Estado.

Já o secretário de Política Nacional de Transportes, Marcelo Perrupato, ressaltou que o PNLT reserva para o Estado alguns novos projetos que surgiram com a expansão das ferrovias de bitola larga. “No município de Aparecida do Tabuado vai passar a Ferrovia Norte-Sul e tem também a expansão do ramal dessa mesma ferrovia até o município de Porto Murtinho. Esses dois empreendimentos ferroviários são muito importantes para o Estado”, lembrou.

Além disso, completou Marcelo Perrupato, o PNLT traz a discussão dos dutos, mais precisamente o poliduto capaz de transportar o etanol produzido por Mato Grosso do Sul, que será em breve um grande produtor no contexto nacional e terá de escoar essa produção excedente para a exportação. “Pretendemos discutir com a Transpetro ou com empreendedores privados a instalação desse poliduto capaz de levar esse etanol até Paulínia (SP), que é o miolo do grande consumo do País”, exemplificou, completando que as demais questões serão trazidas pelo setor privado, que é o grande demandador de logística de transporte.

Marcelo Perrupato acrescenta que o PNLT não é um produto acabado, mas que vive um processo de atualização constante e por isso a necessidade de ouvir os Estados. “Hoje, sabemos que a organização nacional da economia não enxerga mais barreiras estaduais, mas sim vetores logísticos”, ressaltou, pontuando que em 2008 o orçamento do Plano foi elevado de R$ 172,4 bilhões para R$ 291 bilhões. “Vamos fechá-lo no fim de abril deste ano, quando pegaremos toda a massa de informação e vamos preparar as novas propostas de investimentos. A economia é dinâmica e está permanente em evolução, por isso se fazem necessárias as correções constantes”, disse, finalizando que o objetivo é atualizar as demandas de investimentos em infra-estrutura de transportes com vistas à preparação do PPA (Programa Plurianual) 2012-2015 que será enviado ao Congresso Nacional até meados do próximo ano.

O governador André Puccinelli também destacou a importância do PNLT para o País e para o Estado, onde a equipe está afinada com as vontades dos municípios para canalizá-las ao desejo globalizado do Estado em parceria com o Governo Federal. “A consonância, a soma de esforços e de interesses dos municípios do Estado e da União farão do nosso Estado um ente federado com uma logística de transporte importante”, pontuou.

André Puccinelli reforçou que o Estado precisa de investimentos no modal ferroviário. “Nosso pedido já está incluído no PAC, que é o ramal que vem de Maracaju, Dourados e Mundo Novo e vai se unir a Cascavel (PR), fazendo com que tenhamos a possibilidade de escoar a nossa produção pelo Porto de Paranaguá. A ferrovia que já está em Panorama (SP) também vai chegar ao nosso Estado por Maracaju até Porto Murtinho, que contará com uma ponte sobre o Rio Paraguai, criando uma ligação com o eixo viário principal do país vizinho. Nós teremos ao longo dos próximos anos a certeza de integração regional sul-americana graças à logística rodoviária e ferroviária entre os oceanos Pacífico e Atlântico. A intermodalidade rodo-ferroviária e hidroviária fará do Estado um baluarte do Centro-Oeste do País”, previu.

O secretário estadual de Obras Públicas e de Transportes, Edson Giroto, ressaltou que o Estado precisa ter uma matriz bem fundamenta de logística de transporte por ser grande territorialmente e um dos maiores produtores de commodities do País. “Se nós não tivermos essa integração dos modais, nós nunca seremos um Estado de ponta. Hoje, nós temos Mato Grosso do Sul inserido no contexto nacional, discutindo a intermodalidade de transporte, fazendo com tenhamos condições de crescer com segurança e investimentos”, afirmou.

Atualmente, segundo o secretário, temos 3,5 mil quilômetros de rodovias federais que estão sendo melhoradas e outros 3,5 mil quilômetros de estradas estaduais pavimentadas em situação péssima. “O Governo do Estado está investindo nessas vias, que há 30 anos não tinham recebido qualquer tipo de melhorias. Além disso, temos 13,5 mil quilômetros de estradas estaduais não pavimentas que começam a ter um investimento pesado do Governo, mas precisamos de investimentos pesado em novas ferrovias e nas hidrovias, como na Paraná-Tietê, que transporta hoje 4 milhões de toneladas, mas tem capacidade para transportar 30 milhões de toneladas. É Todo esse trabalho para que o Estado esteja inserido nesse novo momento do Brasil. Se não tivermos se integrado ao Governo Federal mais uma vez o trem iria passar e nós não estaríamos dentro dele”, analisou.